E se nascesse velho e fosse rejuvenescendo ao longo anos?
O Estranho Caso de Benjamin Button com Brad Pitt e Cate Blanchet conta com 13 nomeações para os Óscares.
Há quem acredite que todos temos o destino traçado, e como tal, todos os momentos da nossa vida, inclusive a nossa morte, já está predestinada, sendo somente o nosso percurso uma forma de aproveitarmos aquilo e aqueles que nos rodeiam.
Independentemente das nossas crenças pessoais sobre esta matéria, encontramos neste uma representação ficcional sobre esta questão. Se nascemos velhos e caminhamos para a nossa morte, que será quando formos um pequeno bebé, então toda a nossa vida mostra-se mais preciosa, com limite definido, e o caminho que percorremos torna-se num reconhecer de experiências, sobretudo no impacto sentido nas pessoas que vamos encontrando.
Por isso, O Estranho Caso de Benjamin Button de David Fincher acaba por ultrapassar a barreira de cinema fantástico para se elevar a um patamar quase ideológico sobre o valor da nossa existência, num autêntico hino à vida, e homenagem aqueles que já nos deixaram. Neste Filme, vemo-nos a par com o “crescimento” do jovem Button num mundo onde a aparência e os dogmas sociais estão acima da própria essência biológica e moral humana.

A vida revela-se, como sempre, um desafio, mas um desafio ainda maior por se tratar da luta de um só homem, contra todos, contra tudo, contra o tempo. Trata-se também de uma história bastante peculiar e intrigante, narrada em tom directo mas com grande subtileza, capaz de nos fazer pensar e discutir quanto vale o carinho daqueles que nos são próprios, as mudanças, constantes e sempre perturbadoras, e a vida, inevitavelmente fatal. Seja Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, ou qualquer outro membro do elenco, parece que se deixa embrenhar pelo espírito geral do projecto, caminhando numa sintonia invulgar, e que permite ao espectador ser mais do que um mero voyeur.
A relação de vários parâmetros da vida do século XX e XXI, permite que a fronteira entre a tela e a plateia seja transposta, conseguindo misturar-se com o real, embora o tom não deixe de ser de conto fantástico. Talvez aqui é que Fincher poderá ser criticado por alguns olhares, já que não assume por completo a fantasia envolta na personagem de Benjamin Button. As outras figuras do argumento aceitam-no, e ninguém se questiona sobre a sua estranha particularidade.
Porém, Benjamin Button é mais do que uma personagem hipotética, mas será um símbolo colectivo sobre cada um de nós. Tal como a sua amada, Daisy (Cate Blanchett), ambos apresentam formas diferentes de viver a vida: Button é calmo e procura descobrir o mundo através das experiências que vive; e Daisy, curiosa e impulsiva, vive o seu mundo através das suas vivências. Se o argumento de Roth e a direcção de Fincher se mantém mais presentes a este mundo real é para não distanciar emocionalmente os espectadores do objectivo de retrato.
A ideia para esta história terá surgido com a constatação de que a melhor parte da vida é no início e a pior no fim. Benjamin Button é, no entanto, uma excepção, já que nasceu com aspecto e mentalidade de um homem em fim de vida e caminhou, ao longo do tempo, para o dia de nascimento. O argumento baseia-se no conto do norte-americano F. Scott Fitzgerald, publicado em 1992 e recentemente editado no nosso país, pela Editorial Presença.
Trailer :
Ficha técnica:
Ano de produção: 2008
Data de estreia: 2009-01-15
Título: O Estranho Caso de Benjamin Button
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
Argumento: Eric Roth
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson
Género: Drama
País: EUA
Duração: 159 minutos
Distribuição: Columbia Tri Star Warner
~ por LI em Fevereiro 3, 2009.
Publicado em Filmes
Tags: O Estranho Caso de Benjamin Button



[...] Apercebemo-nos também que, afinal, mesmo que o nosso corpo evolua contra o Tempo, tudo o que se vive tem um Tempo certo para ser vivido, até porque há sempre um princípio e um fim, independentemente dos “truques” que arranjemos para o inverter. E se a morte é o nosso destino então, como nos diz o filme, esse momento ficaria determinado: “se nascemos velhos e caminhamos para a nossa morte, que será quando formos um pequeno bebé, então toda a nossa vida mostra-se mais preciosa, com limite definido, e o caminho que percorremos torna-se num reconhecer de experiências, sobretudo no impacto sentido nas pessoas que vamos encontrando.” (ver mais) [...]
O estranho caso do Tempo « Polia’s blog said this on Fevereiro 15, 2009 às 12:06 am |